quinta-feira, 26 de dezembro de 2013

Terminando 2013

E começamos pelo final.  Natal e ano novo provavelmente não são as melhores datas para se começar qualquer coisa, seja blog ou dieta.  Mas estou aqui porque esse fim de ano tivemos todos os eventos que não ser quer para o final de ano.  Recebemos o nosso apartamento no final de novembro e começamos uma pequena reforma que ainda não acabou. Fizemos a mudança no dia 21 de dezembro, ainda com prestadores de serviço medindo pias e instalando ar condicionado.  E para completar, bateram no nosso único carro no início do mês e até agora aguardamos o seguro do responsável receber o carro para o conserto.  Pois é, deixaram para o ano que vem.  E eu espero que isso signifique janeiro e não depois do carnaval.

Enquanto isso minhas pequenas seguem suas vidinhas tão alheias a tudo isso quanto possível.  A menininha da barriga faz 35 semanas amanhã e agora começarão aquelas visitas semanais ao obstetra.  A maiorzinha ainda está curtindo os presentes de natal, embora sua vidinha tenha sido muito mexida com toda essa confusão.  O quartinho delas está com a metade com papel de parede e a outra sem, esperando que o ar condicionado dela seja resolvido.  Pegamos uma empresa bastante responsável mas muito incompetente na execução.  O resultado é que eles passam horas a fio lá mexendo no equipamento, mas não resolvem nada. E agora temos que consertar a pintura que foi danificada neste processo.

Então imagine o esforço de permanecer calma em meio a tudo isso com a perspectiva da bebê chegar a qualquer momento.  A gente quer que elas cheguem com tudo arrumadinho, com muitas fotos e só alegria, fraldas e mamadas.  Estou fazendo uma ginástica mental muito séria de pensar em tudo o que está dando certo toda vez que o desânimo vem e, mesmo assim, tem horas que eu não resisto e deixo as lágrimas correrem soltas.  É, chorar não adianta, mas tem vezes que grávida não resiste.

E o que tudo isso tem a ver com viver sem culpa?  Acredito que tem a ver com a convicção de viver de forma positiva.  Eu tinha muitas expectativas para a "próxima gravidez" e no princípio, até que as coisas foram bem.  Acompanhei com nutricionista, fiz exercícios leves, guardei dinheiro para o enxoval... E aí o apartamento atrasa, um monte de coisa começa a desandar e quando vi estava simplesmente tentando manter o máximo de normalidade possível no meio do caos para a mais velha.  Até que nem mesmo isso é possível e só o que nos resta é o jogo do contente da Poliana.

O pagamento de todo esse esforço é ver sua filha feliz em meio a tudo fora do lugar.  Esse natal não teve guirlanda, árvore, comidinhas feitas em casa.  Pra falar a verdade, não me sentia nem mesmo em casa, com tudo fora do lugar.  Mas teve uma menininha feliz ao ver o sapatinho na varanda com o presente comprado de última hora (depois eu tive que explicar para o meu marido que o sapato era na janela e não no meio da varanda...).  E rimos bastante de vê-la brincar de "mudança" pedindo para carregar as caixas de presentes das avós com o papai, cada um segurando de um lado, como ela viu o pessoal do transporte fazer.  Me lembro do maravilhoso filme do Roberto Benigni, "A vida é bela", e o esforço do pai de manter o sorriso no rosto filho no meio do campo de concentração.  E só de pensar nessa e de tantas outras situações extremas que valentes pais e mães enfrentaram ao redor do mundo, penso que seria muita covardia a minha não suportar as dificuldades normais que a vida adulta nos apresenta.

Não é fácil.  É possível.  Vale a pena.  Feliz ano novo a todas.

E aí uma foto de parte da sala como estava estava esta terça-feira de manhã.

terça-feira, 17 de dezembro de 2013

A Decisão

Estou com 33 semanas de gestação da minha segunda filha, Isabela.  Diferente de quando eu estava no mesmo estágio de gravidez da minha primeira filha, Marina, não estou ansiosa.  Sim, estou pesada, dormindo mal, inchada, com dor nas costas....  mas a minha cabeça está bem e isso se deve a uma decisão que não lembro exatamente quando tomei.

Na verdade não consigo recordar nem mesmo o contexto.  Mas imagino que deve ter sido em uma bela manhã de sol, olhando pro mar, quando eu costumo pensar na vida.  Como eu sou uma pessoa ocupada, isso acontece no meu caminho do trabalho.  Se você já é mãe, sabe que praia com criança não é lugar de relaxamento e sim de constante monitoramento.  Mas como carioca, eu tenho o privilégio de pensar na vida no caminho para o trabalho, quando apesar de engarrafada, olho para o mar e tenho aquelas ideias que só a maresia me traz.

E essa decisão é o que venho propôr com esse blog: viver a maternidade sem culpa.  Nem a minha, nem a de ninguém.  Evitar aquilo que me faz mal, cultivar aquilo que nos faz bem como família.  Para que um dia eu possa olhar nos olhos delas  e afirmar que eu fui a melhor mãe que eu sabia ser.

Não vou dizer que isso é fácil.  Em primeiro lugar tive que decidir que a maternidade seria a mais alta prioridade na minha vida.  Que nenhum projeto pessoal viria antes das minhas pequenas.  Mas também decidi que por isso eu teria que ser mais disciplinada ao cuidar de mim, do marido, da família como um todo, trabalho, estudos, etc.  Porque ser mãe é para a vida toda, como aprendi com minha vó Dorinha e minha mãe, e o mundo não pára de rodar.

Tenho lido muitos blogs de mães e tem sido muito bom aprender o que cada uma tem a acrescentar, mesmo quando defendem coisas que não se encaixam na minha realidade.  Acredito que cada família tem que achar suas próprias respostas e não acho que as minhas táticas funcionam para todo mundo.   No entanto, creio em princípios que devem ser lembrados e que, baseadas neles, podemos fazer escolhas mais acertadas como mães.

Então é isso.  Espero conseguir escrever aqui uma vez por semana e compartilhar como estou vivendo essa maternidade sem culpa.

Um beijo a todas.