Enquanto isso minhas pequenas seguem suas vidinhas tão alheias a tudo isso quanto possível. A menininha da barriga faz 35 semanas amanhã e agora começarão aquelas visitas semanais ao obstetra. A maiorzinha ainda está curtindo os presentes de natal, embora sua vidinha tenha sido muito mexida com toda essa confusão. O quartinho delas está com a metade com papel de parede e a outra sem, esperando que o ar condicionado dela seja resolvido. Pegamos uma empresa bastante responsável mas muito incompetente na execução. O resultado é que eles passam horas a fio lá mexendo no equipamento, mas não resolvem nada. E agora temos que consertar a pintura que foi danificada neste processo.
Então imagine o esforço de permanecer calma em meio a tudo isso com a perspectiva da bebê chegar a qualquer momento. A gente quer que elas cheguem com tudo arrumadinho, com muitas fotos e só alegria, fraldas e mamadas. Estou fazendo uma ginástica mental muito séria de pensar em tudo o que está dando certo toda vez que o desânimo vem e, mesmo assim, tem horas que eu não resisto e deixo as lágrimas correrem soltas. É, chorar não adianta, mas tem vezes que grávida não resiste.
E o que tudo isso tem a ver com viver sem culpa? Acredito que tem a ver com a convicção de viver de forma positiva. Eu tinha muitas expectativas para a "próxima gravidez" e no princípio, até que as coisas foram bem. Acompanhei com nutricionista, fiz exercícios leves, guardei dinheiro para o enxoval... E aí o apartamento atrasa, um monte de coisa começa a desandar e quando vi estava simplesmente tentando manter o máximo de normalidade possível no meio do caos para a mais velha. Até que nem mesmo isso é possível e só o que nos resta é o jogo do contente da Poliana.
O pagamento de todo esse esforço é ver sua filha feliz em meio a tudo fora do lugar. Esse natal não teve guirlanda, árvore, comidinhas feitas em casa. Pra falar a verdade, não me sentia nem mesmo em casa, com tudo fora do lugar. Mas teve uma menininha feliz ao ver o sapatinho na varanda com o presente comprado de última hora (depois eu tive que explicar para o meu marido que o sapato era na janela e não no meio da varanda...). E rimos bastante de vê-la brincar de "mudança" pedindo para carregar as caixas de presentes das avós com o papai, cada um segurando de um lado, como ela viu o pessoal do transporte fazer. Me lembro do maravilhoso filme do Roberto Benigni, "A vida é bela", e o esforço do pai de manter o sorriso no rosto filho no meio do campo de concentração. E só de pensar nessa e de tantas outras situações extremas que valentes pais e mães enfrentaram ao redor do mundo, penso que seria muita covardia a minha não suportar as dificuldades normais que a vida adulta nos apresenta.
Não é fácil. É possível. Vale a pena. Feliz ano novo a todas.
E aí uma foto de parte da sala como estava estava esta terça-feira de manhã.