sexta-feira, 21 de fevereiro de 2014

Vamos falar sobre parto

Pois é, eu sumi.  E nesse sumiço apareceu a Isabela, de 40 semanas.  Nasceu com 50 cm, 3.443 kgs. Uma fofurinha risonha que está trazendo muita alegria pra gente.

Mas eu sumi não só por causa dos trabalhos dos primeiros dias.  Ela está com 16 dias e nesse tempo eu não tenho feito muito mais do que amamentar porque ainda estou me recuperando da cirurgia.  É, o meu sonhado parto normal não aconteceu de novo... E eu vou viver mais uma vez um resguardo de 90 dias.  No segundo filho isso é bem mais complicado.

Complicações à parte, eu confesso que pra mim foi uma decepção:  eu tinha muitas expectativas para este parto.  Mais uma vez aprendi que expectativas só servem mesmo para nos deixarem para baixo.  E os primeiros dias foram bem chatos porque eu fiquei cozinhando o assunto e tentando fazer sentido de tudo aquilo.

Eu sempre quis parto normal.  Marina nasceu de 41 semanas e 1 dia e eu ainda estava na dúvida se esperava mais um pouco para ter um parto normal.  Agora eu estava de novo esperando ansiosa -- pelo menos eu entrei em trabalho de parto dessa vez.  Comecei a sentir cólica 11 horas da manhã e as contrações começaram a vir de 5 em 5 minutos às 2 da tarde.  Mas até aí tudo bem... Saí de casa 1:30 da tarde com a minha mãe.  O trânsito estava meio ruim, então levamos quase meia hora do Recreio dos Bandeirantes até a Perinatal da Barra. Com tudo isso, no entanto, eu só tinha 3 cm de dilatação.  Às 4 horas, ainda 4cm.  Estava doendo muito, mas eu estava levando numa boa!  A médica havia me colocado na cardio e eu estava só mentalizando que aquilo era o anúncio de que em breve veria o rostinho da minha bebê.  Parecia tudo bem.

Até que às 5 horas mais ou menos a bolsa estourou.  E aí é que a coisa ficou feia: o líquido estava verde. Bem verde.  Os médicos chamam isso de tinto e é causado pela evacuação do bebê (o primeiro cocô se chama mecônio).  Quando eu vi aquilo eu só queria minha médica!  Acho que foram os 15 minutos mais longos até que ela chegasse e me dissesse que estava tudo bem... Eu entrei em pânico e minha mãe ficou super nervosa com o meu nervoso... E com uma equipe de enfermagem super incompetente, a situação ficou ainda mais tensa pra mim.

Então a médica me disse que eu poderia tentar o parto normal ainda se quisesse.  Que o líquido realmente estava tinto, mas que a cardio que acabara de ser feita tinha demonstrado que ela estava bem. Então eu perguntei pra ela com quanto de dilatação eu estava e ela me disse que eu tinha os mesmos 4cm.  Quando eu ouvi que toda aquela hora de sofrimento não tinha produzido nada, eu fiquei muito preocupada.  Fiquei pensando que para o neném nascer, poderia levar mais 5 horas ou mais.  E 5 horas poderia ser coisa demais para a minha filha.  E se nesse tempo ela entrasse em sofrimento?  E se nascesse com problemas?

Não pensei muito mais e disse que queria uma cesária.  Daquele momento em diante foi muito difícil suportar as dores porque o meu psicológico tinha ido para as cucuias.  Até que ela nascesse foram quase duas horas.  Nessas duas horas, as contrações foram reduzindo o intervalo para 3 minutos e eram muito mais intensas e dolorosas.  E o parto não começava porque o anestesista não chegava.  Justo ele!  O mais esperado!  A cada contração eu sentia medo de estar perto demais de entrar na fase expulsiva... Minha mãe já não me acompanhava mais.  Meu marido não tinha chegado.  Eu estava ali, sozinha, e sentia muita, muita dor e preocupação.  Eu não sabia quanto tempo a minha filha tinha.  E se a médica estivesse errada?  E se ela já estivesse em sofrimento?

Bom, quando enfim aconteceu o parto, eu estava me sentindo só, perdida, preocupada.  Não tinha ninguém para realmente me contar o que estava acontecendo.  E aí quando a minha bebê saiu nas mãos da pediatra, meu coração gelou: ela não chorava.  Era um bebezinho inerte e os seus pezinhos e mãozinhas era roxos como se fosse um hematoma.  Ela toda parecia estar sem ar... Meio sem vida.  Foi uma angústia que eu gostaria de jamais ter vivido na minha vida.  A pediatra colocou com pressa um instrumento, acho que para aspirar qualquer coisa que houvesse nas vias aéreas dela.  E depois de alguns segundos ela chorou.  Ufa! Que alívio.  Fechei os olhos e fiquei grata a Deus da minha filha estar viva.  E me senti aliviada de ter optado por uma cesariana.  Minha filha realmente não poderia esperar muito mais tempo para nascer saudável.

Mas ainda assim, os dias seguintes eu fiquei meio pesarosa com a experiência.  Minha médica tinha sido atenciosa e respeitado minhas opções, mas eu fiquei assustada com a possibilidade de minha escolha colocar em risco a saúde da bebê.  Fiquei triste de não ter conseguido mais uma vez ter um parto normal.  E fiquei impressionada com a primeira imagem da minha pequena e toda aquela aflição que senti.  Meu único alento foi ter pensado primeiro nela e depois em mim e nas minhas expectativas.

Maternidade pode até ser livre de culpas mas nunca será livre de emoções fortes.



domingo, 2 de fevereiro de 2014

Alongando a paciência

Uma das coisas que mais me faz falta no terceiro trimestre da gravidez é o alongamento.  Não que seja proibido fazê-lo, sou eu é quem não gosta mesmo.  A barriga incomoda muito e os alongamentos muito terceira idade não me animam a encontrar tempo para isso.

A coisa que mais gosto no alongamento é o efeito que ele tem sobre o meu estado emocional.  Primeiro porque todo alongamento bem feito é um exercício de respiração.  Acabo de alongar com aquela vontade de dar uma deitadinha e dormir. Segundo porque, como passo o dia no trabalho em frente a um computador e depois em casa fazendo tarefas domésticas repetitivas, eu encontro real alívio de dores musculares que esse tipo de rotina nos proporciona.  E por último, mas não menos importante, a tensão acumulada nos meus músculos do pescoço e das costas se vai, me deixando pronta para continuar encarando as chatices da vida de adulto.

O resultado é que uma hora de alongamento por semana me torna uma pessoa muito mais pacífica e tolerante.  Tem muita mãe que chia de não ter paciência, mas me pergunto se o motivo não é a resistência em parar e fazer algo de bom por sua saúde.  Comer melhor, beber mais água, alongar, dormir...  Às vezes a gente acha que aquela ida ao shopping é o que se precisa.  Mas o nosso corpo volta moído do passeio, especialmente se as crianças foram junto!  O tiro sai pela culatra.

Depois que a Marina nasceu eu voltei a dançar.  Mas ao invés de dançar jazz ou dança moderna como na adolescência, eu fui dançar ballet clássico.  A música é tão mais adequada pra quem está fugindo da correria do dia a dia.  Conheci gente, me movimentei... estou doida pra voltar de novo.

Sou bem cafona, não curto a ideia de passar 1 ou 2 horas, 4 ou 5 vezes por semana na academia, como fazia antes de ser mãe.  Mesmo que fosse possível eu não o faria.  Mas duas vezes por semana, 90 minutos de dança fazem muito pela minha cabeça e pelo meu corpo.  Por isso que acordar 1 hora mais cedo no sábado pra fazer de alongamento na minha sala me pareceu tão tranquilo de fazer.  Porque melhora minha habilidade nas aulas e minha paciência com o povo aqui de casa.

Mas o que funciona pra mim, pode ser diferente para outras. Conheço mães que correm, nadam, fazem musculação, equitação....  eu acho que tudo é válido para renovar as energias e ser uma mãe melhor.

Se você anda sem paciência, pergunte-se qual foi a última vez que descansou bem... ou fez algo por si mesma.  Vai ver que o motivo da sua agitação é simplesmente ser humana.  Organize-se com seu marido.  Ele pode resistir um pouco no início (aqui em casa foi assim), mas quando ele usufruir dos benefícios de uma esposa mais feliz, com certeza vai te apoiar.