segunda-feira, 10 de março de 2014

Vencido o primeiro mês!

Bom, eu estou com dificuldades para escrever neste espaço por conta da jornada dos primeiros dias. Mas fiquei pensando sobre o que falar primeiro... E acho que cabe uma palavra sobre os baby blues, ou o desânimo dos primeiros dias.

A primeira coisa que me ajudou muito dessa vez foi já saber que eu me sentiria assim.  Ninguém me avisou no caso da Marina e eu ouvi o canto da sereia.  Uma coisa leva a outra: você está cansada, sem dormir, cheia de pontos, com dor, sem ter como cuidar de suas coisas e ninguém para fazê-las, preocupada se um dia voltará a ser você mesma... E aí você não tem paciência para as pessoas.  Os seus relacionamentos se deterioram e assim você passa a realmente ter um problema.  Você fica mais desanimada ainda e as dificuldades se acumulam, passa a ter menos paciência ainda com as pessoas... E é um ciclo vicioso.

Segundo a OMS, 80% das mulheres se sentem assim nas primeiras duas ou três semanas após o parto. Então pense que mesmo a Angelina Jolie, casada com o Brad Pitt, provavelmente se sentiu assim.  Como ela não tem os problemas que a gente tem, ela deve ter passado duas semanas desolada pensando nas mazelas da África e chorando nos intervalos comerciais.  A gente, no entanto, pode começar a pensar que os nossos problemas é que são muito grandes.  E aí é que mora o perigo.

É importante saber que 1,5% da população evolui para uma depressão pós-parto.  Dentre os sintomas mais sérios temos pensamentos suicidas e rejeição do bebê.  Mas os outros 78,5% também podem encerrar esse tempo namorando a tristeza e deixar de viver momentos preciosos de suas vidas.  Isso porque a tristeza é demasiadamente atraente.  Quando você vê gente parada na rua para ver algo você pensa o quê?  Pararam para ver um acidente ou outra tragédia qualquer.  Ninguém para pra ver uma cena fofa.  Quais são os maiores sucessos da música?  Não são as dores de cotovelo que mais escutamos no rádio?  Por mais que a gente queira a felicidade, a tristeza é muito sedutora.  E se você é uma mulher comum, você tem vários motivos para se alegrar -- e vários outros para se sentir triste.  É só escolher.

Mas como saber se você está no 1,5% ou não?  Falando com o seu médico.  Eu não estava e a minha tristeza passou, mas somente quando eu me ocupei demais com os cuidados com o bebê e da casa (coisa que eu só pude fazer no ritmo que gostaria depois de 80 dias da cesárea).  Agora no segundo filho, foi muito bom estar escovada e saber o que esperar.

sexta-feira, 21 de fevereiro de 2014

Vamos falar sobre parto

Pois é, eu sumi.  E nesse sumiço apareceu a Isabela, de 40 semanas.  Nasceu com 50 cm, 3.443 kgs. Uma fofurinha risonha que está trazendo muita alegria pra gente.

Mas eu sumi não só por causa dos trabalhos dos primeiros dias.  Ela está com 16 dias e nesse tempo eu não tenho feito muito mais do que amamentar porque ainda estou me recuperando da cirurgia.  É, o meu sonhado parto normal não aconteceu de novo... E eu vou viver mais uma vez um resguardo de 90 dias.  No segundo filho isso é bem mais complicado.

Complicações à parte, eu confesso que pra mim foi uma decepção:  eu tinha muitas expectativas para este parto.  Mais uma vez aprendi que expectativas só servem mesmo para nos deixarem para baixo.  E os primeiros dias foram bem chatos porque eu fiquei cozinhando o assunto e tentando fazer sentido de tudo aquilo.

Eu sempre quis parto normal.  Marina nasceu de 41 semanas e 1 dia e eu ainda estava na dúvida se esperava mais um pouco para ter um parto normal.  Agora eu estava de novo esperando ansiosa -- pelo menos eu entrei em trabalho de parto dessa vez.  Comecei a sentir cólica 11 horas da manhã e as contrações começaram a vir de 5 em 5 minutos às 2 da tarde.  Mas até aí tudo bem... Saí de casa 1:30 da tarde com a minha mãe.  O trânsito estava meio ruim, então levamos quase meia hora do Recreio dos Bandeirantes até a Perinatal da Barra. Com tudo isso, no entanto, eu só tinha 3 cm de dilatação.  Às 4 horas, ainda 4cm.  Estava doendo muito, mas eu estava levando numa boa!  A médica havia me colocado na cardio e eu estava só mentalizando que aquilo era o anúncio de que em breve veria o rostinho da minha bebê.  Parecia tudo bem.

Até que às 5 horas mais ou menos a bolsa estourou.  E aí é que a coisa ficou feia: o líquido estava verde. Bem verde.  Os médicos chamam isso de tinto e é causado pela evacuação do bebê (o primeiro cocô se chama mecônio).  Quando eu vi aquilo eu só queria minha médica!  Acho que foram os 15 minutos mais longos até que ela chegasse e me dissesse que estava tudo bem... Eu entrei em pânico e minha mãe ficou super nervosa com o meu nervoso... E com uma equipe de enfermagem super incompetente, a situação ficou ainda mais tensa pra mim.

Então a médica me disse que eu poderia tentar o parto normal ainda se quisesse.  Que o líquido realmente estava tinto, mas que a cardio que acabara de ser feita tinha demonstrado que ela estava bem. Então eu perguntei pra ela com quanto de dilatação eu estava e ela me disse que eu tinha os mesmos 4cm.  Quando eu ouvi que toda aquela hora de sofrimento não tinha produzido nada, eu fiquei muito preocupada.  Fiquei pensando que para o neném nascer, poderia levar mais 5 horas ou mais.  E 5 horas poderia ser coisa demais para a minha filha.  E se nesse tempo ela entrasse em sofrimento?  E se nascesse com problemas?

Não pensei muito mais e disse que queria uma cesária.  Daquele momento em diante foi muito difícil suportar as dores porque o meu psicológico tinha ido para as cucuias.  Até que ela nascesse foram quase duas horas.  Nessas duas horas, as contrações foram reduzindo o intervalo para 3 minutos e eram muito mais intensas e dolorosas.  E o parto não começava porque o anestesista não chegava.  Justo ele!  O mais esperado!  A cada contração eu sentia medo de estar perto demais de entrar na fase expulsiva... Minha mãe já não me acompanhava mais.  Meu marido não tinha chegado.  Eu estava ali, sozinha, e sentia muita, muita dor e preocupação.  Eu não sabia quanto tempo a minha filha tinha.  E se a médica estivesse errada?  E se ela já estivesse em sofrimento?

Bom, quando enfim aconteceu o parto, eu estava me sentindo só, perdida, preocupada.  Não tinha ninguém para realmente me contar o que estava acontecendo.  E aí quando a minha bebê saiu nas mãos da pediatra, meu coração gelou: ela não chorava.  Era um bebezinho inerte e os seus pezinhos e mãozinhas era roxos como se fosse um hematoma.  Ela toda parecia estar sem ar... Meio sem vida.  Foi uma angústia que eu gostaria de jamais ter vivido na minha vida.  A pediatra colocou com pressa um instrumento, acho que para aspirar qualquer coisa que houvesse nas vias aéreas dela.  E depois de alguns segundos ela chorou.  Ufa! Que alívio.  Fechei os olhos e fiquei grata a Deus da minha filha estar viva.  E me senti aliviada de ter optado por uma cesariana.  Minha filha realmente não poderia esperar muito mais tempo para nascer saudável.

Mas ainda assim, os dias seguintes eu fiquei meio pesarosa com a experiência.  Minha médica tinha sido atenciosa e respeitado minhas opções, mas eu fiquei assustada com a possibilidade de minha escolha colocar em risco a saúde da bebê.  Fiquei triste de não ter conseguido mais uma vez ter um parto normal.  E fiquei impressionada com a primeira imagem da minha pequena e toda aquela aflição que senti.  Meu único alento foi ter pensado primeiro nela e depois em mim e nas minhas expectativas.

Maternidade pode até ser livre de culpas mas nunca será livre de emoções fortes.



domingo, 2 de fevereiro de 2014

Alongando a paciência

Uma das coisas que mais me faz falta no terceiro trimestre da gravidez é o alongamento.  Não que seja proibido fazê-lo, sou eu é quem não gosta mesmo.  A barriga incomoda muito e os alongamentos muito terceira idade não me animam a encontrar tempo para isso.

A coisa que mais gosto no alongamento é o efeito que ele tem sobre o meu estado emocional.  Primeiro porque todo alongamento bem feito é um exercício de respiração.  Acabo de alongar com aquela vontade de dar uma deitadinha e dormir. Segundo porque, como passo o dia no trabalho em frente a um computador e depois em casa fazendo tarefas domésticas repetitivas, eu encontro real alívio de dores musculares que esse tipo de rotina nos proporciona.  E por último, mas não menos importante, a tensão acumulada nos meus músculos do pescoço e das costas se vai, me deixando pronta para continuar encarando as chatices da vida de adulto.

O resultado é que uma hora de alongamento por semana me torna uma pessoa muito mais pacífica e tolerante.  Tem muita mãe que chia de não ter paciência, mas me pergunto se o motivo não é a resistência em parar e fazer algo de bom por sua saúde.  Comer melhor, beber mais água, alongar, dormir...  Às vezes a gente acha que aquela ida ao shopping é o que se precisa.  Mas o nosso corpo volta moído do passeio, especialmente se as crianças foram junto!  O tiro sai pela culatra.

Depois que a Marina nasceu eu voltei a dançar.  Mas ao invés de dançar jazz ou dança moderna como na adolescência, eu fui dançar ballet clássico.  A música é tão mais adequada pra quem está fugindo da correria do dia a dia.  Conheci gente, me movimentei... estou doida pra voltar de novo.

Sou bem cafona, não curto a ideia de passar 1 ou 2 horas, 4 ou 5 vezes por semana na academia, como fazia antes de ser mãe.  Mesmo que fosse possível eu não o faria.  Mas duas vezes por semana, 90 minutos de dança fazem muito pela minha cabeça e pelo meu corpo.  Por isso que acordar 1 hora mais cedo no sábado pra fazer de alongamento na minha sala me pareceu tão tranquilo de fazer.  Porque melhora minha habilidade nas aulas e minha paciência com o povo aqui de casa.

Mas o que funciona pra mim, pode ser diferente para outras. Conheço mães que correm, nadam, fazem musculação, equitação....  eu acho que tudo é válido para renovar as energias e ser uma mãe melhor.

Se você anda sem paciência, pergunte-se qual foi a última vez que descansou bem... ou fez algo por si mesma.  Vai ver que o motivo da sua agitação é simplesmente ser humana.  Organize-se com seu marido.  Ele pode resistir um pouco no início (aqui em casa foi assim), mas quando ele usufruir dos benefícios de uma esposa mais feliz, com certeza vai te apoiar.

quinta-feira, 30 de janeiro de 2014

Somos todas mães

Amanhã Isabela completará 40 semanas de aluguel.  Será que toda gestação minha tem que ser longa assim?  Eu sei que eu nasci de 42 semanas, mas sinceramente achava que tinha pago minha dívida na gestação da Marina.

Bom, o importante é que ela parece estar saudável aqui dentro.  Eu estou um bagacinho, por isso nem escrevi nada na semana passada.  Mas li bastante coisa sobre maternidade, parto... e já cansei.  Hoje vou começar a reler uns livros que eu lembro de ter curtido muito na época em que li.  Afinal de contas, nem sair de casa pra comprar novos posso, porque todo dia tenho que ficar em casa esperando ou recebendo alguém que vem consertar alguma coisa aqui em casa.  Comprar apartamento detonado é esse suplício.

Mas precisava comentar que na semana passada li vários blogs.  Alguns falavam de uma guerra de mães e falavam sobre tolerância e deixa disso.  Eu sinceramente acho que pode até haver uma guerra de opinião na net, mas acho que as críticas não vem só de outras mães.  No Brasil, especialmente aqui no Rio onde todos se falam, todos se metem.  Inclusive gente que nunca teve filhos.  Não adianta nos darmos trégua umas para as outras e desmoronar na primeira crítica.  A gente tem que aprender a conviver com as nossas escolhas.  E vai que às vezes o palpite é bom?  Confesso que já aprendi coisas importantes com alguns deles.

Veja bem, não fico dando opinião que não foi pedida em shoppings, elevadores, praia, piscina....  mas consigo conviver com os palpiteiros existentes nestes lugares e tantos outros.  Porque eu sei que procuro o melhor para minha filha. E se eu pequei por ignorância, tudo bem.  Se errei por falta de capacidade, tudo bem também.  Nunca será por falta de boa vontade ou egoísmo.  Pelo menos não conscientemente.  E estendo esse mesmo pensamento sobre mim mesmo para outras mães.

E para provar o meu ponto de que toda mãe, a priori, está tentando acertar, coloco abaixo um link super interessante.  São 10 regras para se criar um filho que a Susan Sontag elaborou para si mesma.  Boa parte delas são coisas que eu já pratico, outras gostei de ter pensado nelas pela primeira vez.  Pra quem acha que ativistas políticos de esquerda passam todo o seu tempo pensando em como destruir a família, vai ser uma grata surpresa.  Eu acho.  Não sei, tem gente que prefere achar que todo mundo do seu lado é bom e do outro é mal.  Acredito que como filhas de Deus todas temos algo de divino, mas como participantes do mundo, sempre temos algo de maldoso a superar.  Espero que conhecer o lado íntimo de uma mulher que, aparentemente, estaria alheia às questões que nos acometem todos os dias e descobrir que ela tinha as mesmas preocupações que nós na função de mãe, torne o nosso coração mais tenro em relação às outras mulheres.

http://www.brainpickings.org/index.php/2012/09/13/susan-sontag-10-rules-for-raising-a-child/

quinta-feira, 2 de janeiro de 2014

Começando 2014 com um propósito.

Ponderei bastante qual seria o meu projeto para o ano de 2014.  Depois de muito avaliar e também de perguntar a Deus o que deveria ser feito, acho que encontrei a minha filosofia para o ano: alcançar meus objetivos através dos meus hábitos.  E a pergunta a se repetir é: esse hábito me leva onde eu quero chegar?

Essa história de hábito veio com a chegada da Marina.  Porque a vida de criança é uma vida cheia de pequenos rituais... É o da comida, da hora do sono, da brincadeira.  A criança que tem hora e lugar para fazer as coisas é muito mais tranquila e segura.  Vejo isso na prática com a minha filha e aprendi bastante sobre o assunto em um curso para pais maravilhoso, chamado “Primeiros Passos”, que eu recomendo fortemente para mamães e papais interessados.  Quem quiser saber mais, pode procurar no site do IBF, Instituto Brasileiro da família. Eis o link: http://www.portalibf.org.br/index.php/sobre

Só que hábitos não são só coisas que a gente faz.  Hábitos são também padrões de pensamento que podem nos libertar ou aprisionar.  A ideia de viver a maternidade sem culpa, por exemplo, é uma filosofia libertadora, não um convite para se evitar as responsabilidades da vida de mãe.  É abrir mão de idealizar as coisas e buscar fazer o melhor com a realidade que se apresenta diante da gente.  Eu já fui muito perfeccionista e essa busca pelo melhor muitas vezes me paralisava, especialmente naqueles momentos em que tudo parece tão distante do ideal.   Ainda existem muitas outras atitudes minhas que podem melhorar e são essas coisas com as quais estou mais preocupada.

Essas pequenas melhorias em nossas atitudes são possíveis e fazem a diferença na família.  Vou lhes contar uma experiência recente: na minha mudança tem dado muita coisa errada.  Um dia desses, meu marido foi furar a parede do banheiro e atingiu um cano.  Foi água para tudo quanto é lado...  Ele ficou desesperado (e eu também).  Segundo ele, eu deveria tê-lo chamado de imbecil.  Mas eu tenho buscado ser uma pessoa otimista e na hora, só procurei ajudá-lo e disse que tudo bem, que nós iríamos resolver.  Eu não tinha noção de como isso faria bem ao meu marido.  Depois, ele veio me dizer o quanto se sentiu amado naquele momento.


Acredito no poder que uma mãe tem sobre sua família.  Vejo isso na minha sempre: quanto mais me esforço para ser uma mãe e esposa melhor, mais percebo benefícios na vida da minha família.  E sempre que procuro ser melhor é por lembrar dos conselhos e exemplos da minha própria mãe e vó.  Mesmo quando elas não estão comigo, a influência do que elas me mostraram me ensinam que vale a pena ser o melhor que a gente sabe ser.