Bom, eu estou com dificuldades para escrever neste espaço por conta da jornada dos primeiros dias. Mas fiquei pensando sobre o que falar primeiro... E acho que cabe uma palavra sobre os baby blues, ou o desânimo dos primeiros dias.
A primeira coisa que me ajudou muito dessa vez foi já saber que eu me sentiria assim. Ninguém me avisou no caso da Marina e eu ouvi o canto da sereia. Uma coisa leva a outra: você está cansada, sem dormir, cheia de pontos, com dor, sem ter como cuidar de suas coisas e ninguém para fazê-las, preocupada se um dia voltará a ser você mesma... E aí você não tem paciência para as pessoas. Os seus relacionamentos se deterioram e assim você passa a realmente ter um problema. Você fica mais desanimada ainda e as dificuldades se acumulam, passa a ter menos paciência ainda com as pessoas... E é um ciclo vicioso.
Segundo a OMS, 80% das mulheres se sentem assim nas primeiras duas ou três semanas após o parto. Então pense que mesmo a Angelina Jolie, casada com o Brad Pitt, provavelmente se sentiu assim. Como ela não tem os problemas que a gente tem, ela deve ter passado duas semanas desolada pensando nas mazelas da África e chorando nos intervalos comerciais. A gente, no entanto, pode começar a pensar que os nossos problemas é que são muito grandes. E aí é que mora o perigo.
É importante saber que 1,5% da população evolui para uma depressão pós-parto. Dentre os sintomas mais sérios temos pensamentos suicidas e rejeição do bebê. Mas os outros 78,5% também podem encerrar esse tempo namorando a tristeza e deixar de viver momentos preciosos de suas vidas. Isso porque a tristeza é demasiadamente atraente. Quando você vê gente parada na rua para ver algo você pensa o quê? Pararam para ver um acidente ou outra tragédia qualquer. Ninguém para pra ver uma cena fofa. Quais são os maiores sucessos da música? Não são as dores de cotovelo que mais escutamos no rádio? Por mais que a gente queira a felicidade, a tristeza é muito sedutora. E se você é uma mulher comum, você tem vários motivos para se alegrar -- e vários outros para se sentir triste. É só escolher.
Mas como saber se você está no 1,5% ou não? Falando com o seu médico. Eu não estava e a minha tristeza passou, mas somente quando eu me ocupei demais com os cuidados com o bebê e da casa (coisa que eu só pude fazer no ritmo que gostaria depois de 80 dias da cesárea). Agora no segundo filho, foi muito bom estar escovada e saber o que esperar.
Nenhum comentário:
Postar um comentário