segunda-feira, 31 de agosto de 2015

As Crianças Que Mordem

Criança não sabe se defender, mas bem que tenta.  E além disso ainda ataca no dia em que acorda com a macaca.  Pelo menos as minhas sempre foram assim, primeiro elas tentam resolver o assunto e só correm pra mim quando não conseguem.  São duas princesinhas, manhosas e carinhosas, mas não levam de jeito nenhum desaforo para casa.

Acontece que isso nunca foi um problema com a primeira filha porque ela não mordia.  Meu marido sempre lembra de uma vez em que a mais velha tomou um empurrão de um amiguinho e já caiu socando de volta.  Começou a chorar porque só achou vento, meu marido e o pai do menino assistindo e achando aquilo engraçado.

Agora a caçula morde.  Ah, e como morde!  Todo dia eu tenho que brigar com ela por morder a irmã.  E eu me recordo bem do que é ser mordida pela caçulinha porque sou a mais velha.  Coloco de castigo, dou bronca... Mas parar que é bom nada.  Pelo menos ela já se sente mal por machucar a irmã e já sai dando um abraço de desculpas.  Felizmente, essa tática de defesa ela não estava usando na escola.  Até semana passada, quero dizer.

Então na quinta passada veio a notícia de que ela mordeu.  Eu já imaginei aquela boquinha cheia de dente no braço da amiguinha.  Para meu alívio, a minha pequena estava apenas se defendendo de uma amiguinha maior que bateu nela, mas fiquei apreensiva com a repercussão do fato.  Todo mundo sabe que quando a criança volta mordida sai comentário contra a escola e contra a educação do mordedor.

É claro que a gente entende a mãe do mordido.  Primeiro, mordida é chato porque dói bem mais.  Porque afinal de contas, pressão é força sobre área e aqueles dentinhos fininhos podem ser bem afiados.  Segundo porque você chega do trabalho e busca seu filho na creche querendo muito sentir que ele está lá seguro e salvo.  Ver as marcas da agressão, mesmo que seja de um toquinho de gente como ele mesmo, ou até menor, é certo de estragar o dia de muitas mães.

Acontece que estar no lugar da mãe da criança que morde é muito delicado.  Porque a gente não tem como colocar uma mordaça no filho.  A gente conversa, explica, castiga.  Mas a mordida que acontece na creche, longe de nossos olhos, é algo que a gente não pode prevenir.  E mesmo que estivesse perto, eles são rápidos.  A situação da professora é complicada, tendo que conter os ânimos dos bonequinhos que mudam de alegria para a irritação em segundos.  Ninguém quer ser o responsável por estragar o dia de outras mães... E também não gostaríamos que acontecesse com os nossos pimpolhos e nos sentimos muito mal com isso.  

Seria tão perfeito se mães tivessem compaixão das outras em momentos como esse.

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